Víctima de amputação

Em novembro, Alzouma estava viajando de moto entre a sua cidade natal e Gao quando os jihadistas o prenderam e o acusaram de espionagem. Alzouma negou qualquer tipo de envolvimento, e disse que estava parado sozinho na estrada, pois estava trocando uma vela do motor de sua moto que estava com defeito. Mais tarde, os extremistas disseram que testemunhas o viram invadir uma loja das redondezas.
Issa Alzouma
Ele disse que não houve julgamento. Um vizinho mais tarde veio à sua casa para dizer a sua esposa, Fatimata, que sua mão havia sido amputada. Ela não sabia como iria explicar a seu filho Ousmane de 7 anos que seu pai havia perdido sua mão. Quando foi visitá-lo no hospital, Ousmane chorou ao ver o toco do braço de seu pai enfaixado.
Depois de sua amputação, Alzouma comprou à sua esposa um véu com as doações que receberam. Ela só o vestiu uma vez para ir ao mercado antes da missão francesa expulsar os rebeldes islâmicos . Hoje, ela envolve a cabeça em um pano de cor azul-petróleo e observa que mais do que nunca é pressionada a abandonar a cabana da família.
Pequena, mas persistente, Fatimata agora carrega o peso da responsabilidade para o futuro de sua família, embalando carvão em sacos plásticos para vender para sustentar seu filho e marido. Os jihadistas queriam manter as mulheres em casa, mas, ironicamente, a amputação mudou a dinâmica dos papéis de gênero, com Fatimata agora saindo para trabalhar, enquanto Alzouma fica em casa se recuperando e ajudando a cuidar das crianças.
Alzouma não consegue comprar medicação para dor. Ele retorna a cada 10 dias para o hospital para que cuidem de seu curativo. Ele espera que um dia consiga obter uma prótese que lhe devolverá algumas habilidades. Ele sabe, porém, que não será capaz de cavar o cascalho como fazia antigamente.
"Todo dia quando rezo pergunto a Deus: 'o que posso fazer para sobreviver? Como posso sustentar minha família?'", disse.
Os militantes disseram que cortaram sua mão seguindo a lei islâmica. Alzouma, porém, disse que submeter ele e seus filhos a uma vida de pobreza não está de acordo com sua fé. "Eles disseram que eram muçulmanos, mas não eram", disse. "Eles são criminosos."
Por Krista Larson

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